28 de março de 2010

Blog do Contardo



Descubro por acaso que Contardo Calligaris tem um blog.


!!!


Nele, seus textos brilhantes (ainda que, nem sempre, eu concorde com o conteúdo deles; aos meus olhos não é necessário concordar com a opinião de alguém para reconhecer a qualidade de um trabalho).

Calligaris é dono de uma escrita sensível com o leitor, direta, lúcida e agradável, feitos notáveis para um lacaniano.

Acesse: contardocalligaris.blogspot.com

28 de fevereiro de 2010

Depressão: a psicopatologia da lucidez





Há algum tempo, em uma postagem passada, havia prometido um texto sobre Depressão. Mais especificamente sobre a comprovada maior prevalência de casos depressivos em mulheres (numa relação de duas para cada homem e particularmente no período da vida reprodutiva feminina) [1].



Como sou uma "blogueira" muito desobediente, resolvi escrever neste domingo de luz tão branca (o dia me inspirou ao tema) sobre o fenômeno que talvez mais me desconcerte: o discurso depressivo. Ele se caracteriza por uma percepção de mundo cruamente lúcida que o sujeito parece carregar em si. Ao me deparar com pacientes deprimidos (fato muito comum na clínica psicológica e fora dela também), percebo que este olhar independe do grau de gravidade da patologia. Está corriqueiramente presente.



Uma cidade em luz branca, sem contornos, sem sombras, sem ilusão (foi o que pude ver pela janela esta manhã), somada à lembrança de uma canção de Regina Spektor ouvida há poucos dias chamada "Lounge" (procure no cd da cantora entitulado "Songs", cuja capa é a foto que ilustra esse texto) me fez pensar sobre a fala do deprimido na clínica: um discurso de alguém incapaz de se iludir, desconcertantemente lúcido, pouco interessado no mundo.


Em determinado trecho da canção, Spektor diz:


I don't know why flowers grow in wintertime
The sky turns gray, the sun don't shine
And people rush to be
On time for work, they
Wrap themselves in woolen cloaks
And hats and scarves
Like larva in their incubated cars
And drive...until they get away
[2]

A lucidez da descrição de fatos corriqueiros - narrados de modo impiedoso e crú por Spektor - exemplificam o olhar pouco gentil que o deprimido lança sobre o mundo. Um jeito de ver que aponta o tempo todo para a dura constatação de que a vida não é mais do que isto. Freud, em seu brilhante "Luto e Melancolia"[3] questiona porque um estado que percebe a realidade sem ilusões, como ela é, constiui-se como psicopatologia:


"Certamente, de alguma forma ele deve estar com toda razão, e descreve algo que é como lhe parece ser. (...) O paciente também nos parece justificado em fazer outras auto-acusações; apenas, ele dispõe de uma visão mais penetrante da verdade do que outras pessoas que não são melancólicas. Quando, em sua exacerbada auto-crítica, ele se descreve como mesquinho, egoísta, desonesto, carente de independência, alguém cujo objetivo tem sido ocultar as fraquezas de sua própria natureza, pode ser, até onde sabemos, que tenha chegado bem perto de se compreender a si mesmo; ficamos imaginando, tão-somente, por que um homem precisa adoecer para ter acesso a uma verdade dessa espécie." [3, p.252]


Freud nos faz uma excelente pergunta: por que o estado de lucidez pura -sobre si e sobre todas as coisas - se configura como psicopatologia? Ela não poderia ser libertadora? Minha resposta é controversa: Sim e não.


Sim, nos momentos em que precisamos da decepção e da constatação de irremediável para superarmos determinada situação: o olhar depressivo em períodos de luto é necessário e desejável, apesar de doloroso. A constatação seca da perda definitiva é o único caminho para o desinvestimento egóico. E não, porque esta lucidez não pode permanecer para sempre. Ela deve ser substituída -após determinado tempo - pela retomada da capacidade de nos iludirmos com um novo objeto (alguém, alguma coisa, um novo acontecimento). E é exatamente isso que o sujeito deprimido não consegue fazer: iludir-se com o mundo.


A Depressão como psicopatologia coloca a pessoa que a sofre num permanente e crescente estado de empobrecimento egóico: uma sensação constante de olhar desviado. Eis uma das hipóteses da Psicanálise para o deprimido: uma mãe (ou figura que ocupou o que chamamos de função materna) incapaz de reconhecer os "feitos" do filho. Incapaz de encantar-se e aplaudir genuinamente seus saltos do alto do banco de cinqüenta centímetros da pracinha. Incapaz de julgar ser aquela criança a mais especial do mundo.


Gosto muito das expressões populares, acho que elas revelam uma série de coisas que, mais tarde, os especialistas conseguirão descrever de um modo muito menos gracioso. Mas pensemos na expressão "coruja". O que é ser "coruja", "mãe coruja", "pai coruja", "tia coruja"? Bom, se nos detivermos no animal coruja, visualizaremos grandes olhos atentos e expressivos, ladeados por penas. Sim, ser coruja é deter o olhar, enamoradamente, sobre alguma coisa que chama muito nossa atenção. Que muito nos interessa. A criança de um ano e meio que corre risonha e sem muito comando das pernas pelos corredores dos shoppings e que se vira para trás a procura do olhar coruja dos pais precisa encontrá-lo. Trata-se de uma vivência que significa e estrutura o sujeito. Lacan dizia que ser olhado é ser amado. Portanto, uma hipótese para a Depressão é o que denominamos como olhar desviado, inapreensível, das figuras parentais.


A reedição das primeiras sensações de sermos assistidos (e uso aqui esta palavra em seu sentido pleno) será a condição essencial para mantermos uma relação de calor e parcialidade com o mundo. Imaginarmos que o tênis novo, uma nova viagem, determinado telefonema ou uma canção pode salvar a vida ou mudar o dia é retermos em nós mesmos a potência de vida, ainda que as coisas nem sempre sejam exatamente assim. É absolutamente necessário o claro e o escuro.

[1] "Depressão em Mulheres", Yonkers, K.; Steiner, M. São Paulo: Lemos Editorial.

[2] "Eu não sei por que flores crescem no inverno / o céu fica cinza, o sol não brilha / e pessoas correm para chegar / a tempo no trabalho, eles se agasalham com casacos de lã / e bonés e cachecóis / como larvas incubadas em seus carros / e dirigem antes de se afastarem" Tradução: letras.terra.com.br/regina-spektor/386946/traducao.html

[3] "Luto e Melancolia", Freud, S. Vol. XIV Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, Rio de Janeiro: Imago.

12 de fevereiro de 2010

Alexander McQueen e Suicídio




Foi com imensa tristeza que me deparei, no final da tarde de ontem, com a notícia chocante da morte de Alexander McQueen, um dos mais geniais estilistas que já conheci (acompanhado em meu pódio pessoal por John Galliano).




Lendo as primeiras notas sobre o caso divulgadas pela imprensa (o corpo de McQueen foi encontrado na manhã de ontem por uma empregada), a hipótese de suicídio ganha cada vez mais força. Segundo informações, o estilista inglês vinha enfrentando uma crise depressiva desde que sua mãe faleceu, há dez dias atrás.




Há dois dias, McQueen divulgou informações no seu twiiter de que sentia-se melhor, mais apoiado por seus amigos e com melhor estado de ânimo. Este relato fecha com uma constatação bastante comum quando se analisa o evento de suicídio após um grave episódio depressivo.




Ao contrário do que a maioria das pessoas imaginam, o período de maior risco para o ato de suicídio é exatamente quando os sintomas que tipificam a Depressão começam a ceder.




E é possível compreender por que é assim: crises depressivas de maior gravidade são tão incapacitantes, colocam a pessoa que a sofre num estado de prostração tão intensa, que até mesmo o ato insano do suicídio torna-se uma tarefa demasiadamente desgastante. Ou seja, é necessário melhorar, tornar-se um pouco mais capaz de administrar a própria vida, para se pensar e levar a cabo a ideia de morte como tentativa ditorcida de "alívio a dor" (UM ADENDO: no discurso de alguém que pensa em suicídio é recorrente ouvirmos a justificativa de busca de alívio na morte - ao que eu sempre respondo: mas não há alívio na morte, porque a ação de aliviar-se exige vida! Morrer é não existir mais. Vida impõe o movimento contínuo que caracteriza toda forma de existência humana - sofrer e se aliviar, e então sofrer de novo e de novo se aliviar. Ok, é justo que busquemos diminuir a quantidade de sofrimento e aumento do tempo nas coisas que nos dão prazer.).


...


Igualmente trágico é que a pessoa que tenta suicídio deixa inadvertidamente como herança aos seus familiares uma comprovado aumento de mortes por suicídio na família. Estudos verificam prevalência estatisticamente significativa em casos de suicídio com histórico prévio familiar.


...


Quando isto não ocorre (quando a família consegue permanecer forte o suficiente para entender o desequilíbrio absoluto que o ato suicida representa), pode desenvolver crises importantes de sentimento de culpa, além de pensamentos de dúvida de natureza especulativa sobre as circunstâncias da morte. Pertuntas jamais respondidas.


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Pensamentos como "o que ele pensou, com que propósito fez?", "será que queria mesmo morrer?", "será que ele não tentou me avisar e eu não estava suficientemente atenta aos sinais?", "será que não foi um pedido de socorro e eu não fui cuidadosa o suficiente para perceber a tempo de salvá-lo?" são dúvidas torturantes e comumente presentes. Nestes casos, somente uma grande vontade de melhorar permitirá ao familiar que fica superá-las.

17 de janeiro de 2010

Alimentação não saudável e depressão


Uma pesquisa publicada pelo prestigiado American Journal of Psychiatry apontou para a relação entre alimentação não saudável e aumento de casos de depressão em mulheres.


Os pesquisadores indicam a possibilidade de pão branco, pizza, hamburguer, alimentos com açúcar, entre outros, aumentar em até 50% a ocorrência de transtornos depressivos.


Já a ingesta de alimentos saudáveis - segunda a pesquisa australina -poderia diminuir em até 30% episódios de depressão ou ansiedade.

Fonte: Site Terra [ http://www.saude.terra.com.br/]

6 de janeiro de 2010

2010


Um Feliz Ano Novo para todos vocês, leitores fiéis. E em 2010 seguimos por aqui pensando sobre cérebro, comportamento, vastas emoções, pensamentos imperfeitos...



Abraços,

Ana Maria Thomé.

28 de novembro de 2009

O Conceito de "Carga de Doença"

A saúde pública começa a utilizar um novo conceito epidemiológico de mensuração de morbidade na população mundial. O objetivo é descrever de modo mais preciso o impacto que determinada doença ou transtorno provoca na vida das pessoas, quando as acomete.

O mais utilizado (e ainda muito importante) é o conceito de Prevalência. Entretanto, saber o quanto as pessoas adoecem não representa, de modo fidedigno, as perdas funcionais ou o sofrimento ocasionado por determinada patologia. Por exemplo, podemos dizer que há uma alta prevalência, no verão, de micoses - sem dúvida um desconforto dermatológico. Mas isso não significa dizer que ela nos incapacite ou nos ameace consistentemente (pode, no máximo, coçar um bocado).

Pensando nisso, um novo conceito - o de Carga de Doença - começa a ser mais utilizado para medir quanto e como as populações do mundo vivem e sofrem o impacto de determinada patologia.

Trata-se de um índice mensurável pelo cálculo acima, nada simpático. Nesta equação complexa, variáveis como "anos de vida perdido por morte prematura (YLL)", "anos de vida perdido por incapacidade (YLD)" além de "mortalidade", "prevalência", "esperança de vida" e "peso das incapacidades" são levados em consideração. Isso quer dizer que, aproveitando o exemplo acima, ainda que a prevalência da micose seja altíssima, ela não mata, nem impossibilita que determinada pessoa trabalhe, tome ciência das coisas da vida, interaja com os outros. Enfim, que determinado indivíduo desfrute a vida.

Um estudo da Fiocruz (2002) apontou para a carga de doença no Brasil, ou seja, quais são os quadros que mais incapacitam a população brasileira. Eis a lista:


CARGA DE DOENÇA NO BRASIL:

1º Lugar: Diabetes - 5,1%
2º Lugar: Doença Cardiovascular - 5,0%

3º Lugar: Doença Cerebrovascular - 4,6%

4º Lugar: Depressão - 3,8%

5º Lugar: Asfixia e traumatismo ao nascer - 3,8%

6º Lugar: Doença Pulmonar obstrutiva crônica -3,4%

7º Lugar: Violência - 3,3%

8º Lugar: Infecções de vias aéreas inferiores - 2,9%

9º Lugar: Acidentes de trânsito - 2,7%

10º Lugar: Demência - 2,6%

11º Lugar: Uso nocivo de álcool - 2,5%

12º Lugar: Diarréia - 2,1%

13º Lugar: Esquizofrenia - 1,9%

14º Lugar: Asma - 1,8%

15º Lugar: HIV/AIDS - 1,2%

Os aspectos mais relevantes (e motivo do meu comentário) é que entre as 15 causas de morbidade e morbimortalidade no Brasil, cinco estão diretamente vinculadas à Saúde Mental. A mais freqüente delas é a Depressão, cujas estatísticas mundiais revelam índices de prevalência progressivamente mais altos (sendo a população feminina a mais atingida; prometo escrever sobre as possíveis causa desta maior vulnerabilidade num outro dia).


O mais irônico disso tudo é que ainda não temos uma saúde pública preparada para previnir e/ou assistir a população acometida por qualquer psicopatologia, mesmo com a OMS estabelecendo - desde 2001 - que Saúde Mental é, sim, responsabilidade dos três níveis de atenção e, principalmente da atenção primária (ou atenção básica, como chamamos a atenção primária no país).


O que os dados do estudo da Fiocruz revelam é que a Depressão é altamente incapacitante na medida em que faz com que as pessoas deixem de viver plenamente. Sujeitos que sofrem de depressão produzem menos, desfrutam menos, vivem de modo bastante restrito. Precisamos de políticas públicas que dêem conta do problema, assim como temos para as DST/AIDS (que, os dados acima indicam, é muito menos freqüente na população brasileira, e muito mais financiado).

10 de outubro de 2009

10 de Outubro: Dia Mundial da Saúde Mental



Dia (oficial) de pensar na saúde mental.
Você está pensando na sua?

4 de outubro de 2009

VII Jornada APOIAR


Inscrições (gratuitas!) abertas para a Jornada APOIAR, tradicional evento do Instituto de Psicologia da USP - organizado pela Profa. Dra. Leila Tardivo. O evento conta com a presença muito especial do psicanalista gaúcho David Zimerman. Há, ainda, a possibilidade de divulgar trabalhos científicos sobre Psicologia, Medicina ou áreas afins com enfoque em saúde mental. Inscrições no site http://www.leilatardivo.com.br/ . Corra!

27 de setembro de 2009

Madonna vigoréxica?



Nos últimos dias, a imagem ao lado da cantora americana Madonna foi divulgada em algumas publicações como suposta prova de que ela sofre de uma psicopatologia chamada Vigorexia.

A imagem de fato é chocante: mostra Madonna com os braços muito magros e pálidos, atravessados por inúmeras veias. Uma visão completamente diferente do que a maioria das pessoas possui em relação a artista, sinônimo de vigor físico, ousadia, sensualidade, graça, luzes, dança. As manchetes que acompanham a foto adotam o mesmo tom chocante e - ouso dizer - raivoso, soando mais ou menos assim: "vejam, ela não passa de uma velha querendo bancar a menininha e isso a adoeceu!".


A Vigorexia, psicopatologia cuja característica essencial é a prática excessiva de exercícios físicos a ponto de causar lesão muscular, acompanhada de sofrimento e nenhuma crítica do sujeito sobre seu comportamento, ainda não foi formalmente descrita nos manuais de classificação de transtornos mentais. Muito provavelmente, estará presente na próxima edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o DSM, escrito pela Associação Psiquiátrica Americana - APA e editado, no Brasil, pela Artmed; conseqüentemente, também, na próxima edição da Classificação Internacional de Doenças - CID (de modo relativamente harmônico, as duas publicações "caminham juntas" e são consideradas importantes no mundo científico, ainda que sofram - por vezes de modo justificado - críticas acirradas da classe psicológica e psiquiátrica). Ainda que me pareça bobo entrar no mérito, parece-me importante relambrar que o estabelecimento de uma hipótese diagnóstica em saúde mental exige muito mais do que a simples imagem de uma foto.


Estabelecimento de qualquer diagnóstico - e em psicologia não é diferente - requer contato direto com o paciente e técnica para avaliar. Lembro-me de que, alguns anos atrás, um famoso laboratório farmacêutico distribuiu em um congresso científico da área psi uma revista-brinde. O conteúdo, impresso em papel caro, continha "casos clínicos" com hipóteses diagnósticas para personalidades, como Beethoven, Oscar Wilde, Van Gogh, entre outros. O que se via era um texto mal escrito e desinformado lançando a esmo afirmativas infelizes que reduziam Beethoven a uma paranóia, Wilde à neurastenia, Van Gogh à uma psicose.
A psicopatologia vai muito além da simples junção de critérios diagnósticos e observação de determinado comportamento: ela exige que se pense o paciente conjuntamente com ele (sempre que possível e raramente não o é). Dizer que Madonna é "Vigoréxica", ou qualquer outra coisa, pela simples visão de uma foto é maldoso e ingênuo.


Quando a cantora esteve no Brasil, no final do ano passado, assisti à sua última apresentação em São Paulo. Madonna é uma artista carismática que se comunica magistralmente com a platéia e exibe vigor físico, alegria, auto-controle e liderança invejáveis. Os meios de comunicação que exibem a artista como vigoréxica parecem desejar imensamente atingir a imagem de uma mulher que sempre utilizou - e, diga-se de passagem, de modo muito habilidoso - a mídia para a auto-promoção, mas que, ao mesmo tempo, nunca se submeteu a ela. Como conseqüência, erram duas vezes. Primeiro, por adotar um discurso preconceituoso em relação aos transtornos mentais, amparado na percepção de que determinada psicopatologia atingir um indivíduo em virtude de sua "fraqueza de caráter". Segundo, por confundir o público em relação a um assunto tão delicado quanto critérios diagnósticos em psicopatologia.

19 de setembro de 2009

Breve ensaio de escrita acerca de Lispector


Deixo com vocês o belíssimo texto sobre Clarice Lispector e Psicanálise da psicóloga gaúcha Ana Elisabeth Mautone Gomes. Apreciem!


“Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e no entanto premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida.” ("Aprendendo a Viver", Clarice Lispector - pg 53)


Ao lermos Clarice Lispector, temos a sensação que a autora revela confissões íntimas, penetrando em áreas sombreadas de sua própria personalidade. Sua narrativa suscita reflexão e mobiliza algo da ordem da angústia em muitos dos que a lêem.Ela vasculha obsessivamente em busca de algo que parece impossível de ser encontrado ou definido. Explora a subjetividade, o fluir da consciência, buscando o âmago das coisas, o devir mais íntimo instalado em nós, fazendo-nos rever nossas certezas em relação a temas complexos como: vida, morte, amor, ódio, solidão, loucura...

Freud, em 1919, publicou um artigo intitulado “O Estranho”.Parto deste escrito para pensar o texto de Clarice. Ao apresentar este artigo, Freud propõe que este termo nos remete a algo assustador, de natureza desconhecida. Diz ele: “O estranho é aquela categoria do assustador que remete ao que é conhecido, de velho, e de há muito familiar” (2006.pg 238). O estranho, para este autor, é aquilo que, de tão familiar, nos causa estranheza.

Clarice convida o leitor para que este se atire e mergulhe nessa atmosfera de estranhamento, desencadeando em quem a lê um processo reflexivo e introspectivo que remete a esta experiência do assustador, do não conhecido, aquilo que é da ordem do recalcado. Ao lermos Clarice temos a impressão que ela faz revelar o estranho que há em cada um de nós.

“Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.
Se no berço experimentei essa fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.” (pg 52)


Sua escrita introspectiva é marcada por uma busca de si mesmo, na procura de um abrigo que lhe confira uma identidade. A narrativa é assinada pelo sentimento de não pertencer, pela procura do Outro, por algo que lhe sustente e lhe outorgue um lugar.

A imagem assimilada por Clarice de si mesma parece ser de alguém que foi investido pelo desejo do Outro materno com a finalidade específica de propiciar a continuidade da existência desta. Provavelmente seu registro psíquico foi como se sua existência fizesse sentido apenas para aplacar a dor, dar sentido e fornecer esperança ao grande Outro materno, alguém, além de si mesma. Ferida narcísica instalada precocemente em seu psiquismo? Seria apenas está a única representação que Clarice teria no inconsciente materno? Seu sentimento de não pertencimento teria aí sua origem?

Cabassu (1997) acredita que, ao aprofundarmos o entendimento das representações maternas inconscientes e as respostas que o bebê elabora destas, poderemos chegar a um melhor conhecimento das primeiras instaurações psíquicas e do estreito determinismo provindo desta interação. Para a autora, durante o estabelecimento do aparelho psíquico do bebê, é a força do discurso sobre a representação inconsciente que a mãe tem do bebê que pode transformar de maneira significativa a direção dos fatos. De que forma, então, pensar a respeito do complexo “conjunto de sinais da presença materna”? O quanto Clarice foi investida pelo desejo da mãe, por sua voz, olhar, e que sentido foi atribuído ao desejo materno? Como se deu a relação especular?

Será que Clarice se alienou no discurso de vir a ser a salvadora de sua mãe? Seu nascimento teria apenas o sentido de libertar a mãe de todo o mal e da morte? Seu sentimento de ter experimentado ainda no berço “a fome humana” consistiria em sua representação inconsciente de ser desejada apenas com este propósito? Não podemos afirmar e nem fechar tal conclusão. Tais inferências nos remetem apenas a pensar nas representações e fantasias que talvez pudessem habitar o mundo interno de Clarice. Sua escrita nos remete a falta, ao sentimento de incompletude, a um núcleo melancólico que integra a personalidade desta excepcional escritora.

Por outro lado, poderíamos pensar no sucesso alcançado por ela, no reconhecimento de sua obra, nos milhares de admiradores, nas identificações que seus escritos suscitam em quem os lê. De onde viria esta capacidade singular de Clarice? Que grande Outro a atravessou, quem transmitiu e inscreveu em Clarice a possibilidade de ter sido quem foi? Terá sido seu pai que, ao nomeá-la, lhe ofereceu novas possibilidades de vir a ser? Ela traz em seu próprio nome o desígnio de uma grande promessa, seu nome tem origem no latim, que é uma forma elaborada de Clara e que significa “brilhante, ilustre”, o que define todas suas formas de viver: mulher íntegra, corajosa, mãe acolhedora, carinhosa, dedicada. Alguém com quem muitos de nós compartilhamos nossos mais íntimos e miseráveis sentimentos.

Podemos pensar que, como mediador da relação entre mãe e filha, ao se interpor na relação diádica, especular e imaginária da dupla mãe-bebê e ao operar a castração, o pai de Clarice tenha lhe outorgado outro lugar possível de existir e uma suposta renúncia ao desejo materno. Entretanto, não sem deixar vestígios de uma representação imaginária e fantasmática de ter nascido com o único objetivo de salvar sua mãe da morte. Tal evidência aparece a seguir na transcrição do parágrafo a seguir:

“No entanto fui preparada para ser dada à luz de um modo tão bonito. Minha mãe já estava doente, e, por uma superstição bastante espalhada, acreditava-se que ter um filho curava uma mulher de uma doença. Então fui deliberadamente criada: com amor e esperança. Só que não curei minha mãe. E sinto até hoje essa carga de culpa: fizeram-me com uma missão determinada e eu falhei. Como se contassem comigo nas trincheiras de uma guerra e eu tivesse desertado. Sei que meus pais me perdoaram eu ter nascido em vão e tê-los traído na grande esperança. Mas eu, eu não me perdôo.” ( Pg-54)

Chama atenção a expressão usada pela escritora, “fui preparada para ser dada”; em seu imaginário ela foi gerada como um presente para a mãe, com a finalidade de restituir a vida desta. Com a morte da mãe, Clarice falha em sua missão salvadora e podemos pensar que se instaura na escritora um núcleo melancólico, um vazio e a busca incessante por aquilo a que foi convocada. Podemos encontrar rastros dessa busca, em seus romances, crônicas e contos. Ela própria se inquietava com seu excesso de sinceridade, dizendo que seus escritos estavam tornando-se excessivamente pessoais.


Calligaris (1991) ao falar do sujeito do inconsciente diz que esse é o lugar de onde o Isso fala - o lugar de onde o sujeito enuncia. O sujeito não fala sozinho, ele está atravessado por outros sujeitos e falando em rede com esses. Para Lacan, o inconsciente é transubjetivo, na medida em que Isso fala, desenha-se uma rede de lugares de interlocução, indicando lugares com os quais o sujeito está falando numa transubjetividade com e em rede com outros sujeitos (também inconscientes). Neste sentido o inconsciente expressa não apenas o sujeito que fala - sua enunciação, mas a marca de subjetividade com a qual ele se estruturou.

Acredita Fink (1998), que quaisquer que sejam os motivos que levam os pais a desejar o nascimento de uma criança, eles funcionam diretamente como a causa da presença física do sujeito no mundo. Diz o autor que estes motivos continuam a agir sobre a criança após seu nascimento e que são responsáveis em grande parte pelo aparecimento do sujeito dentro da linguagem e que, sendo assim, o “sujeito é causado pelo desejo do Outro”. (pág-72)

Aqui fica a tentativa inicial de articular algumas reflexões a respeito do texto de Clarice Lispector com a Psicanálise. As idéias apresentadas aqui pretendem ser um ensaio e exercício de escrita, a partir de reflexões e hipóteses que foram sendo produzidas e pensadas durante a leitura dos textos de Lispector.


¹ EU empregado como Jê referindo-se ao sujeito da enunciação e não a Moi como ego



Referências Bibliográficas

CABASSU, G. (1997). Palavras em torno do berço. In Wanderlei, D.B-Palavras em torno do berço. Editora Àgalma. Salvador.
CALLIGARIS, C. (1991). O inconsciente em Lacan. In: O Inconsciente- Várias Leituras.Ed. Escuta. São Paulo.
FREUD, S. (2006). Obras Completas, Vol. XVII. Rio de Janeiro: Imago Editora Ltda.
LACAN, J. (1998). Escritos. O estádio do espelho como formador da função do eu. Jorge Zahar Editor. RJ.
LISPECTOR, C. (2004). Aprendendo a viver. Editora Rocco. RJ
FINK, B. (1998). O sujeito lacaniano entre o gozo e a linguagem. Jorge Zahar editor.RJ
Ana Elisabeth Mautone Gomes é psicóloga especializanda em Atendimento Clínico com Ênfase em Psicanálise pela UFRGS e técnica responsável pelo Serviço Escola de Psicologia do Centro Universitário Metodista do Sul - IPA. Atende em consultório particular na Av. Érico Veríssimo, nº 627, em Porto Alegre - RS. Fone para contato: (51) 8171-4552

E-mail:ana22gomes@terra.com.br

12 de agosto de 2009

X Congresso Brasileiro de Neuropsicologia


Vem aí o X Congresso Brasileiro de Neuropsicologia, evento promovido pela Sociedade Brasileira de Neuropsicologia [acesse o link: http://www.sbnp.com.br/homecongr2009.htm ].

O evento ocorre nos dias 12, 13 e 14 de novembro deste ano. Para quem é profissional da área, as inscrições de trabalhos vão até o dia 31 de agosto de 2009!

10 de agosto de 2009

Freudiano insuspeito

"Aqueles que têm problemas com o verbo 'engolir' sofrem de regressão e não conseguiram passar da primeira infância, na fase oral".

[Fernando Collor de Mello]

22 de maio de 2009

www.anamariathome.com.br


Nessa semana estreiei meu site, voltado para Psicologia Clínica e Neuropsicologia. Nele, você encontra informações atualizadas dos principais congressos em solo nacional, cursos que ministrarei a partir do segundo semestre, cursos que ministro atualmente, informações sobre Psicoterapia Breve, Neuropsicologia, entre outras coisas. Acesse:




Aguardo sua visita!

15 de maio de 2009

Crianças e Dificuldade na Escola


É mais comum do que se pensa a criança em idade escolar apresentar dificuldades acadêmicas. Muitas vezes, os pais se angustiam quando percebem que seu filho vivencia dificuldades para aprender, ou apresenta problemas de relacionamento com os demais coleguinhas. A situação pode acabar atingindo o ambiente familiar e influenciar negativamente a auto-estima da criança. Por este motivo, é fundamental que os cuidadores busquem ajuda para superação de quadros como este.

Quando pertinente, uma Avaliação Neuropsicológica bem feita, voltada especificamente para a Infância e Adolescência esclarece, com bom nível de detalhamento, as condições atuais do funcionamento cognitivo e emocional da criança e do adolescente.


O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – o DSM IV - da Associação Psiquiátrica Americana (editado, no Brasil, pela Artmed), publicação que referencia procedimentos, pesquisas e políticas de saúde mental no mundo inteiro, exige – para toda e qualquer avaliação de dificuldade ou transtornos ligados à capacidade de aprender – a etapa de avaliação do funcionamento cognitivo feita individualmente e com instrumentos padronizados. Esta é considerada a forma mais eficaz de conhecer a dificuldade com bom nível de detalhamento.

A Avaliação Neuropsicológica da queixa escolar possibilita a discriminação de presença ou não de alteração ou atraso no funcionamento de áreas como ATENÇÃO, MEMÓRIA, INTELIGÊNCIA, PERCEPÇÃO, HUMOR, LINGUAGEM, FUNCIONAMENTO MOTOR, CAPACIDADE DE PLANEJAR, ORGANIZAR e MODIFICAR O FOCO SEM PERDER A MOTIVAÇÃO (FLEXIBILIDADE MENTAL) em campos considerados primordiais para o processo de aprendizagem, relações sociais e familiares, aquisição das habilidades comunicativas e interativas, entre outros fatores que caracterizam o amadurecimento esperado em determinado período do ciclo vital. Ela não fecha um diagnóstico. Mas auxilia no estabelecimento do diagnóstico mais preciso em quadros como:

-Dificuldades ou Transtorno de Aprendizagem;
-Causa(s) da dificuldade de Adaptação Escolar;
-Disfunções próprias da infância, como, por exemplo, o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade - TDAH;
-Atrasos e déficits cognitivos e mentais;
-Autismo e outros Transtornos Globais do Desenvolvimento.

A Avaliação Neuopsicológica da queixa escolar auxilia entender se o quadro apresentado pelo aluno tem como causa fatores emocionais (psicogênicos) ou neurofisiológicos (ou seja, do funcionamento cerebral).

POR QUE AVALIAR?

Para planejar a intervenção mais adequada para superação do déficit, respeitando a singularidade da criança. A partir do que foi percebido na avaliação, é possível estabelecer - conjuntamente com o grupo familiar – um plano terapêutico singular para superar o que está limitando o processo de aprendizagem e desenvolvimento da criança ou adolescente.

Isto pode ser feito através da adoção de estratégias como a reabilitação cognitiva focada na limitação, encaminhamento ao psicopedagogo, tratamento psicológico para alívio dos sintomas emocionais, a mediação entre família e escola, até a orientação estratégica de pais ou cuidadores sobre como proceder diante de determinada dificuldade.

O importante, em todo e qualquer caso, é respeitar as características da criança e da família, proporcionando ganho em sua qualidade de vida.

31 de março de 2009

Porte de Armas e Varas da Família na mira dos Psicólogos


O Conselho Regional de Psicologia de São Paulo - CRP SP, adotou duas importantes medidas neste início de ano, visando regular e orientar os profissionais psicólogos que atuam emitindo pareceres técnicos em dois campos que atingem direta ou indiretamente a vida de todos nós.


A primeira medida diz respeito a orientações sobre atuação do psicólogo como assistente técnico junto as varas da família, ou seja, produzindo laudos e pareceres jurídicos. O CRP SP fez um amplo debate - que iniciou em 2004 e foi concluído apenas no ano passado - cujo objetivo foi o de orientar previamente a atuação destes profissionais junto as famílias que atravessam situações muito difíceis, como a separação do casal e a guarda dos fillhos.


Nas questões que envolvem a disputa de guarda dos filhos ou a regulamentação de visita, o juiz normalmente solicita uma avaliação do psicólogo perito do Poder Judiciário. Todavia, é dada a possibilidade das partes contratarem um outro profissional da psicologia para atuar como assistente técnico. Essa situação pode resultar em divergências de visões entre os especialistas, gerando representações junto ao Conselho de Ética dos CRPs questionando a isenção de laudos e outros documentos.


Por este motivo, o CRP SP, em medida encampada pelo próprio Tribunal de Justiça, recomenda aos psicólogos que atuam, principalmente, como assistentes técnicos a seguinte conduta:



1. Que o assistente técnico seja contatado desde o início da avaliação;


2. Que o assistente técnico requisite por escrito sua participação para apreciação do pedido pelo perito, em especial no que se refere à realização das entrevistas ou aplicação de testes psicológicos;


3. Que a postura do assistente técnico sempre se paute pelos critérios éticos e técnicos, não adotando posições bélicas que outros operadores do Direito costumam adotar;


4. Lembrar, sempre, de sua condição de especialista, acima das partes, colocando o interesse da criança em primeiro lugar.


A segunda medida, tem como foco o credenciamento dos profissionais que fazem avaliação psicológica para concessão de registro e/ou porte de arma de fogo. Corretamente, o Conselho Federal de Psicologia - CFP proibiu o psicólogo licenciado pela Polícia Federal para este tipo de avaliação de estar vinculado com centros de formação de vigilantes, empresas de segurança privada, escolas de formação ou qualquer outra instituição que possa estabelecer conflito de interesse em relação aos serviços prestados.


Esta restrição está prevista no artigo 5 da Resolução 18 do Concelho Federal de Psicologia, sendo aprovada em dezembro de 2008.


A avaliação psicológica para uso de arma de fogo é exigida desde 1997 e já coibiu inúmeras situações com potencial alto para violência e desastres. Ainda assim, o CFP acerta com a Resolução 18, na medida em que deixa o corporativismo de lado - muito comum em outros conselhos de profissionais da saúde - e pensa estritamente no interesse pessoal e no compromisso por uma sociedade mais segura.


[Fonte:Psi Jornal de Psicologia CRP SP fev-mar 2009]

22 de fevereiro de 2009

Atenção na Escolha do Profissional para Exame ou Reabilitação das Funções Cognitivas!



É importante estar atento ao currículo de todo e qualquer profissional a quem responsabilizamos pelo cuidado da nossa saúde, ou a saúde daqueles que amamos. A escolha de um técnico que oferece serviços em Neuropsicologia, como avaliações quantitativas e qualitativas da cognição, reabilitação neuropsicológica, laudos técnicos e outros documentos solicitados por outros especialistas ou campos de saber (como, por exemplo, um relatório pericial com finalidade jurídica) requer cuidado! Alguns profissionais oferecem estes serviços sem a devida formação técnica que os habilite para tais funções.

Ser Psicólogo, Fonoaudiólogo, Terapeuta Ocupacional, Médico ou Fisioterapeuta não capacita alguém para avaliar as diversas funções cognitivas com testes neuropsicológicos, emitindo parecer técnico sobre os resultados. A Neuropsicologia é uma especialização exclusiva do profissional da Psicologia. Ou seja, somente Psicólogos estão autorizados a tornarem-se Neuropsicólogos, conforme a Resolução nº 002/2004, do Conselho Federal de Psicologia. Mas, para isso, é preciso fazer uma pós-graduação específica, com duração mínima de dois anos.

Entretanto, Psicólogos sem a devida capacitação profissional oferecem este serviço de modo ilegal, estando sujeitos a sanções como a perda definitiva da licença profissional. Uma avaliação neuropsicológica exige formação específica na área. Neurologistas, Psiquiatras ou quaisquer outros profissionais médicos também não são tecnicamente habilitados a mensurar as funções cognitivas utilizando testes. Eles não são treinados para isso.

O uso de testes psicológicos e neuropsicológicos exige profundo conhecimento sobre como utilizá-lo. Caso não sejam lidos do modo correto, produzirão resultados falsos e equivocados. A tradução dos resultados em informações que serão repassadas a terceiros (escola, outros profissionais da saúde, perícias judiciais) exigirão a assinatura de um técnico legalmente habilitado para a função. Além disso, é importante que o profissional que escolhe o campo da saúde esteja permanentemente se reciclando, participando de congressos nacionais e internacionais sobre o tema, atualizando-se periodicamente em cursos e formações.

Quando buscar um profissional do campo da Neuropsicologia, acesse informações a respeito dele: peça referências com outros profissionais da saúde em quem você confie, pesquisa na internet, investigue sua atuação profissional nos Conselhos de Classe de sua cidade. Certifique-se sempre de que se trata de um técnico sério e adequadamente habilitado para a função.